torstai, elokuu 04, 2005

O Telefone

Quando um Gajo e uma Gaja se envolvem numa relação, para alêm das formas normais de comunicação (falar, arremessar objectos contundentes, usurpar comandos), comunicam tambêm por telefone. Até há bem pouco tempo, havia a noção de que os Gajos não tinham em si os genes necessários para falar longas horas ao telefone, e quando o usavam era para dar recados rápidos de índole “logo saio às oito, não janto em casa, xau”. As Gajas, que se há coisa que gostam é de passar horas ao telefone, mesmo com pessoas com quem passam horas pessoalmente, não entendiam esta vertente da personalidade do Gajo, e arrumavam-na na mesma gaveta que outras vertentes igualmente incompreensíveis*, mas que até se suportam porque as pilhas estão caras e acabam depressa.
Mas o dia chegou em que se inventaram os auriculares, e os Gajos começaram a poder falar ao telefone enquanto conduzem. E começaram a surgir telefonemas mais longos, de duração aproximadamente igual à distancia trabalho-casa, dependendo do trânsito e do preço da gasolina, em que os Gajos dissertavam longamente sobre o seu dia, os seus problemas, o sentido da vida, a conjuntura mundial e a melhor maneira de cozinhar bacalhau com natas. Ao princípio as Gajas deliciaram-se com a novidade pois isto dava-lhes a oportunidade de passar mais tempo a falar com o Gajo e sem ter que competir com futebol, o que não é todos os dias que acontece**. Mas chegou eventualmente a altura em que as Gajas, habituadas a estes longos períodos de conversa e partilha, resolveram começar a telefonar noutras alturas do dia para partilhar pequenos nadas que se vão passando na vida da Gaja comum, e quando telefonavam nestas outras alturas do dia, voltavam a deparar-se com o muro de “sim, pois, tens razão, agora tenho q ir, xau, beijo”. Isto poderia passar-se uma vez, e uma Gaja pensar “pois, reuniões”, duas vezes e uma Gaja “é... dor de dentes”, mas as Gajas começaram eventualmente a notar a tendência “quando tenho que passar o tempo tens que estar disponível para as minhas historinhas de merda, mas quando tenho outras coisas a fazer*** não quero nem saber que estejas em trabalho de parto de gémeos meus”. E foi este o dia em que as Gajas começaram a deixar de achar piada aos telefonemas longos com hora marcada e em que os Gajos deram por si a levar com impressoras lazer na cabeça por um motivo completamente novo e insuspeito.

*incapacidade de ver que a louça está por lavar, entre outras.
**de meados de julho a meados de agosto, em anos ímpares.
***ler os titulos dos jornais desportivos, p.e

keskiviikko, heinäkuu 27, 2005

O tal do almoço é dia 6.
qualquer coisa: tasqueira at hotmail ponto com

tiistai, heinäkuu 26, 2005

Novelas

Era uma vez um morango que ia a passer na rua, metido com as suas inflorescências, ou lá como se chamam aquelas coisitas esverdeadas q têem os morangos nos sítios onde não são vermelhos, e ia o morango a pensar na vidinha dele, que ainda ontem estava pegado ao caule, numa vida tranquila de receber sol e chuva e o ocasional monte de estrume, a tentar passar despercebido aos passaros e às minhocas, e que hoje já ia pela rua, a rebolar nas descidas e a pedir boleia nas subidas (a bainhas de claças passantes, o mais das vezes, apesar do perigo que são as solas de sapatos que vêm de repente e esmagam morangos incautos), ia pela rua, sozinho, a pensar no que haveria de fazer com o resto da vida dele, se haveria de ir trabalhar para uma taça de chantilly ou para uma panela de fondue, ou se haveria de seguir os passos da familia e ir trabalhar para uma tarte de fruta numa montra de pastelaria...
Ia portantos o nosso morango pelo seu percurso na estrada e nos pensamentos, quando se encontrou com um pacote de açucar que ia a escorregar por uma valeta, tambem metido nos seus pensamentos, mas no caso deste duma índole mais refinada, mais será que o nosso papel nesta vida é o de adoçar as existencias alheias, agradar-lhes os sentidos com o melhor que possamos dar de nós mesmos.
Quando o morango viu o pacote de açucar, apaixonou-se pelas suas cores e formas e pela sua doçura de carácter e logo ali professou-lhe amor eterno. O pacote de açucar nem teve tempo de lhe responder, admirado que estava com a súbita proposta, pois de uma esquina próxima saltou um mordomo que entre gritos e lágrimas explicou que nunca um amor seria possivel entre aqueles dois, pois que eram ambos filhos dele e portanto irmãos. No entanto, quando o mordomo estava para lhes contar em como uma bela noite de bebedeira se tinha aliviado para o canteiro onde estavam o pé que era a mãe do morango e a cana que era a mãe do açucar, aparece a filha da vizinha com um punhal cravado nas costas e que num ultimo estertor confessa ter assassinado as gentis plantas que o honesto mordomo pensava serem mães dos jovens passantes, e tê-las substituido por outras plantas, gémeas das anteriores, que estavam à espera de filhos de uns vendedores ambulantes que tinham passado pelo canteiro naqueles dias...

torstai, kesäkuu 23, 2005

o tempo

O Tempo, na altura em que o conheci, era um moço novo, ainda sem barba, a viver em casa dos pais, o Sr Luz e a senhora História. A mãe do Tempo nao se cansava de olhar para ele e de ir escrevendo o que ele fazia. o pai do Tempo preocupava-se mais com o presente e com a beleza da vida e ia gozando cada momento, sem se preocupar com posteridades. Apesar de novo e de ainda viver em casa dos pais, o Tempo tinha um trabalho, que ele não escolheu mas que tinha que fazer (um pouco como o trabalho dos humanos ser viver). O trabalho do Tempo era fazer cruzinhas na testa dos humanos. Todos os dias, o Tempo saía de casa e ia fazendo uma cruzinha na testa de todos os humanos, por ordem alfabética dos nomes das almas (as almas tinham um nome composto por letras e numeros, desde o dia em que o Fabricante se aborreceu de inventar nomes bonitos e com algum tipo de sentido como estrela e quénia e saudade e comecou a chamá-las de AVGFGFHH89023). Não era o trabalho do Tempo contar as cruzinhas, esse era o trabalho da Morte, o Tempo limitava-se a fazer cruzinhas em todas as pessoas que estivessem vivas à hora que ele passasse por elas, com um marcador invisível a olhos humanos mas visível a olhos alegóricos.
O Tempo, sendo um moço novo, achava piada a fazer umas brincadeirinhas. Às vezes gostava de passar de mansinho pelas pessoas, fazendo com que elas não se apercebessem da sua passagem, e rindo a bom rir com a cara que elas faziam quando a morte as apanhava desprevenidas. Outras vezes gostava de fazer um grande estardalhaço ao passar pelas pessoas com um ar mais stressado e preocupado, e de vê-las a bufar e a resmungar que tinham tantas coisas a fazer e que ainda ontem era ontem, e hoje já é outro dia...
Um belo dia uns amigos decidiram pregar uma partida ao Tempo e convidaram-no para jantar e fizeram-lhe uma daquelas gelatinas de vodka. O Tempo não era moço abstémio, mas não gostava de beber antes de trabalhar porque gostava de fazer o seu trabalho bem feito. Ficou por isso surpreendido e atribuiu a uma qualquer quebra de tensão quando no fim de jantar, preparado para mais umas horas de trabalho, se viu a andar em Ss e com o peito molhado depois de ter dito “poijentaomuitoobrigadinhopeloxantar,amigojjjjjjj”. Com ou sem quebra de tensão ele nao tinha hipóteses de faltar ao trabalho (as unicas alturas em que tinha umas folgas era quando o pai se dedicava a dar umas corridas a grande velocidade, mas o pai nessa noite tinha ido fazer uns biscates para uma empresa de lâmpadas), e teve mesmo que ir pôr todas as cruzinhas em todos os humanos vivos da ronda da noite.
No entanto, como estava um bocado tocado, começou a ficar um tanto ou quanto criativo e opinioso e comecou a distribuir as cruzinhas, não por ordem alfabética, mas conforme lhe parecia justo: Viu humanos da classe dos chefes, dos que gostavam de abusar das cruzinhas dos outros, sempre a pedir para formatar computadores e instalar programas para não se darem ao trabalho de chamar os srs informáticos, e a pedir para fazer coisas à mão porque comprar fica caro, e pimba, espetou-lhes nas testas todas as cruzinhas das quais as pessoas não puderam usufruir enquanto se afadigavam com as suas tarefas “faça lá isso que não custa nada e poupamos um euro e a chatice de enviar um mail”, viu outros humanos daqueles que achavam que pedir a amigos para gastar cruzinhas com eles nem contava como favor (porque não envolvia gasto directo de euros), e pimba, espetou-lhes nas testas todas as cruzinhas referentes a horas no trânsito para dar boleias, a tardes perdidas a levantar roupa na lavandaria, a dias inteiros a ir só ali a espanha levantar umas amostras que eu não posso que estou de férias. Ora isto desorganizou o horário da Morte, que ja tinha programado tudo para aquela noite (levantar as almas BSFHFIE3754 a 94985, aparecer subitamente às almas WFHFQEJDJDSIHD983654 a 54654456546540, partir os travões do carro da LKJFSHRFH97854 e dar um empurrãozinho à penumonia da SDIHFEKJD94859, depois tinha um jantar de negócios com os gerentes do MacDonalds para acertar os preços do colesterol, e ainda ia ver se conseguia dormir duas horinhas enquanto o Tempo descansava), e que se viu de repente a braços com vários humanos com um número de cruzinhas que ultrapassavam o seu valor limite de cruzinhas predestinadas e que ela ia ter por isso que levantar. Enquanto procurava na agenda o número dalgum serial killer que lhe pudesse dar o jeito ia-se indagando como poderia ter-se descuidado tanto com tantos humanos ao mesmo tempo, valha-me o Fabricante, como pude eu desleixar-me tanto e ter deixado tantas almas excederem o número de cruzinhas, será da minha vista, se calhar já não vejo bem as cruzinhas, se calhar vou chegar a amanhã e vou-me aperceber que me desleixei em mais alguns milhares, ou pior ainda o Fabricante vai querer ver as almas mais recentes e vai-se aperceber que montes delas ainda andam aí a usar cuzinhas e vou ser despedida e vou ter que arranjar outro emprego na minha idade não é nada fácil sabe o Fabricante como foi dificil arranjar este, tive que puxar dalguns cordelinhos e convencer o fabricante que era mais divertido se eu estivesse por cá, porque podia usar as almas para diversas coisas, e ia criar empregos, e agora isto, valha-me o Fabricante... E, preocupada com todas estas coisas, a Morte achou que o melhor mesmo era encontrar não um serial killer mas um humano terrorista e um humano presidente e convencê-los a entrarem em guerra, de modo a despachar logo alguns milhares de almas.

tiistai, toukokuu 31, 2005

ControlCê-ControlBê da posta do Rancor Eterno

2003/12/02
As Gajas no geral são boas pessoas, compreensivas, tolerantes e boas companheiras. Mas...
...há um determinado tipo de datas (pouquitas) que esperam que o seu Gajo recorde SEMPRE!
Estas datas são efectivamente poucas e a Gaja espera que o seu Gajo tenha sempre presente não só as Datas importantes na relação (aniversário de casamento, aniversário de início de relação, aniversário do dia em que ELA começou a achar que a coisa era séria, dias dos namorados e santos casamenteiros de todos os países ocidentais e alguns orientais, aniversários de primeiro beijo, primeira queca, primeira ida ao cinema, primeira fotocópia tirada em conjunto, primeira vez que cozinharam pasta, primeira vez que tiveram um orgasmo simultâneo, primeira vez que compraram casa, primeira vez que compraram a marca de café que ainda hoje usam) como também as Datas importantes para a Gaja (Aniversário dela, familiares directos e 10 amigos mais chegados, data em que fez os primeiros 5 exames de condução, data em que entrou para a escola primária, data em que é suposto vir o período, data em que foi promovida/fez apresentação em público/iniciou Blog).
Em caso de esquecimento de alguma destas datas (quer por esquecimento de oferecer a prenda correspondente, quer por esquecimento de mencionar o seu conhecimento da respectiva data no decorrer de uma conversa normal) a Gaja acciona imediatamente o mecanismo do Rancor Eterno. O mecanismo do Rancor Eterno consiste em (após uma primeira fase de arremesso de objectos contundentes a partes sensíveis da anatomia masculina) nunca esquecer o esquecimento do Gajo e trazer o assunto à baila quando tal for relevante (por exemplo: Quando o Gajo diz "está a chover" a Gaja pode responder "é, que está a chover reparas tu, mas que ontem fez 7 meses e duas semanas que começamos a usar azeite oliveira da serra foste incapaz de te lembrar, é bom saber das tuas prioridades... não gostas de mim, não me ligas nenhum...). O Rancor Eterno serve intuitos educativos (provar ao Gajo que é perfeitamente possível saber todas as datas importantes, e mesmo assim NUNCA esquecer as falhas deles) e serve de manobra de distracção na eventualidade de a Gaja se esquecer de alguma data insignificante a que o Gajo dê demasiada importância (Aniversário dele, dia em que vai ao médico saber se tem de amputar a perna direita, dia em que foi eleito presidente da república, etc.)

maanantai, toukokuu 30, 2005

Que a Força esteja convosco

As Gajas, conforme é do conhecimento geral, são em média mais pequenas e têm menos massa muscular que os Gajos. É a vida, não se pode ter tudo, e os Gajos foram habituados desde cedo na historia da humanidade a fazer os trabalhos ditos pesados, deixando para as Gajas os trabalhos mais leves de educar e carregar com 30 kg de filhos e 50 de roupa lavada.
No entanto, na história recente deu-se uma reviravolta, e algumas Gajas têm agora a mania de que podem fazer tudo sozinhas, desde abrir frascos de compota a mudar os móveis da casa. Eu compreendo que na verdade, e como para todas as outras coisas, cada Gaja tem a sua mania e os Gajos já não sabem se hão de ser cavalheiros ou carroceiros, pelo que eu, que sei tudo e gosto de partilhar, vou esclarecer todas as dúvidas.
Vamos analizar uma situação hipotética, em que uma qualquer Gaja acaba de sair de uma qualquer porta carregada com um sem numero de sacos de aparência pesada, e que encontra nesse preciso momento um Gajo de mãos a abanar. O Gajo diz um “dá cá, que eu é que tenho que levar isso” à Gaja. Esta, arremessa-lhe com os conteúdos do saco aos dentes, enfia-lhe o saco vazio na cabeça, e enquanto espera que ele deixe de respirar, disserta sobre a opressão feminina. Num outro dia, o mesmo Gajo, devidamente ressuscitado pelos paramédicos e com uma placa nova, vê-se novamente numa qualquer porta defronte da mesma Gaja carregada com sacos de aparência pesada. Desta feita o Gajo abstêm-se de oferecer a sua ajuda, e caminha lado a lado com a Gaja a oferecer as suas opiniões sobre o tempo e o campeonato de futebol. A dada altura a Gaja prega-lhe uma rasteira, tira-lhe a placa e enfia-lhe os conteúdos do saco pela boca adentro enquanto disserta sobre a insensibilidade e a inconsideração da classe masculina. Este Gajo, sentado no banco do hospital, sente-se obviamente confuso, por estas atitudes que ele considera opostas, e sente-se tentado a deixar de ter qualquer contacto com o sexo feminino que não seja mediado por dinheiro, ou que não termine com o fechar da revista. O que este Gajo não sabe, são os pensamentos que passaram na cabeça da Gaja no decorrer de cada uma destas situações, pensamentos estes que, no interesse da humanidade, passo a desvendar:
Pensamentos da Gaja na situação 1: “E tu pensas que quê, que eu não tenho duas mãozinhas??? Não tenho músculos nos braços como as pessoas, não? Achas que eu não posso com esta merda, achas??? Pois toma lá disto a ver se não tenho força”
Pensamentos da Gaja na situação 2: “E é isto, uma Gaja aqui carregadíssima, a esfalfar-se com o peso e a inércia, e este nem vê nada, egoísta de merda só pensa na bola e no mundinho dele, pois então toma lá disto a ver se eu não existo”
Uma situação sem saída possível, uma espada de dois gumes? Não, nem por isso, pois há sempre um meio termo:
o que o gajo teria que fazer, caso fizesse uso dos nervos que estão acima do pescoço, seria oferecer a sua ajuda como o faria a qualquer outra pessoa, assim numa de “queres ajuda”, sem se impor como sexo forte nem menosprezar as capacidades da Gaja, ao mesmo tempo que mostra que se interessa pela vida das pessoas que não estão vestidas com equipamentos de futebol.

torstai, toukokuu 26, 2005

O senhor do tempo livre

Era uma vez um senhor que tinha muito tempo livre e que queria saber o que fazer dele. Como este senhor não era um desses senhores que tomam decisões sem primeiro averiguar de todas as possibilidades de escolha, decidiu fazer uma lista das coisas a que podia dedicar os seus tempos livres. Primeiro pensou em pegar num dicionário e fazer uma lista de todas as palavras que pudessem traduzir actividade, mas pensando melhor no assunto achou que qualquer palavra, com a adequada imaginação poderia indicar uma ou várias actividade, por exemplo a palavra “abade” tanto poderia sugerir a frequência de um curso de teologia, como a manufactura de pequenos exemplares de barro, ou o serial killing de membros da igreja. Então achou melhor começar por fazer um inquérito a pessoas conhecidas, uma colecta das actividades consideradas normais e mais usadas como ocupadoras de tempos livres. A lista começou com um simples viajar, mas cresceu tanto e tão rapidamente com ler, caminhar, jardinar, cozinhar, costurar, ver televisão, ir ao cinema, pintar, esculpir, escrever, fotografar, posar, passear, construir, coleccionar, correr, nadar, treinar, engomar, limpar, lavar, trabalhar, casar, copular, coçar, cultivar, arrepender, pensar, filosofar, chatear, prometer, contar, inventariar, alfabetizar, desenhar, depilar, tatuar, conduzir, pregar, acarinhar, miniaturizar, coscuvilhar, comunicar, observar, investigar, alimentar, traduzir, amealhar, colorir, educar... cresceu tanto, que o senhor começou a ficar preocupado com a fase da escolha, como escolher entre tantas actividades?
Então o senhor pensou numa estratégia, e decidiu fazer um organigrama de actividades:
Primeiro dividiu as actividades em paradas (tipo pensar, filosofar, e ler) e mexidas (tipo correr, andar de bicicleta e copular), e pensou em qual destes dois tipos preferia ocupar os seus tempos livres. Pensou e decidiu que gostava mais das paradas que ele não era um senhor muito atlético e não gostava de suar.
Nas actividades paradas podia escolher entre as paradas criativas (pintar, escrever, imaginar...) e as paradas consumidoras (ler, observar, coleccionar). Esta escolha foi mais difícil, porque se por um lado consumir coisas já feitas dava menos trabalho ao cérebro e era sempre uma surpresa ver o que saía do dos outros, por outro lado criar era infinito e podia ser feito em qualquer lado com ou sem dinheiro.
Restava decidir entre actividades em meios físicos (escrever, pintar) e actividades em balõezinhos no ar (filosofar, pensar, dar sentido à vida), e achou que sem meios físicos seria mais fácil usufruir de todo e qualquer tempo livre, porque teria a liberdade de fazer a actividade de sua escolha em qualquer sítio, altura ou situação.
Quando chegou à altura de escolher de entre a agora bastante mais restrita lista de actividades ocupadoras de tempos livres de sua preferência, o senhor sentiu uma dor num braço e morreu.